quinta-feira, 21 de julho de 2016

Sete esferas. Um pedido.

Dia 21 de julho sempre será um dia especial. Se minha vó estivesse viva hoje, estaria completando 84 anos.

De manhã, eu iria abraçá - la e diria: "Parabéns, muitas felicidades, saúde, juízo e muitos anos de vida..." e ela iria responder "Não quero muitos anos de vida, já vi o bastante. Talvez nem passe desse ano." Sempre passava. Não ia querer presente, porém sempre pedia um talco. Falava que velho fede e ainda tem aqueles velhos que não tomam banho e que fedem ainda mais. Perfume para ela era um artigo de luxo, só usava quando saía. 

Um ano depois de sua morte, a sua falta é grande. Sempre que me sinto perdida, ouço a voz dela, com seus conselhos e esporros, que hoje em dia é quase sempre, porque eu ficava sem rumo de vez em quando, mas o que estou passando ultimamente não é de Deus. Ela fazia parte da minha alma e quando se foi algo dentro de mim foi arrancado - um pouco da minha alma, um pouco da minha essência. Além do mundo ficar preto e branco, vivo num paradoxo constante, porque os meses passam rápido, mas numa lentidão sem fim e tenho a sensação que ela morreu ontem. Dizem que o tempo cura tudo, só queria que dissessem quanto tempo é necessário, pois sempre me sinto sozinha, não que eu esteja de verdade. Tenho um marido que me ama, uma mãe atenciosa, amigos para me incentivar, para me dar conselhos, que acreditam em mim, mesmo quando eu mesma deixo de acreditar, que se importam comigo e principalmente, sentiriam a minha falta, caso eu morresse. 

Quando eu era criança, assista um desenho chamado Dragon Ball (pra ser sincera, assisto até hoje) e tinha as esferas do Dragão. Se você juntasse todas as sete esferas, poderia fazer um pedido ao Shen Long, o Dragão que realizava o seu desejo. 
Eu iria pedir minha vó de volta, sem dor e sem sofrimento, por apenas dois minutos. No primeiro minuto, falaria o quanto sinto a sua falta e quanto a amo. No segundo minuto, eu iria abraçá - la, até sentir a minha alma doer. Quando ela fosse embora novamente, as esferas seriam espalhadas pelo mundo, eu iria caçar todas elas novamente e faria o mesmo pedido. Porque por ela, vale a pena cada jornada, mesmo que seja por apenas um abraço. 

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Vida de Suburbano

Ahhhhh... vida de pobre! Todos os dias passamos por situações que são corriqueiras, outras nem tanto. Pessoas endinheiradas, com toda certeza não passam e não dão valor ao que damos. Se nós somos tristes? As vezes, mas conseguimos encontrar a felicidade nas pequenas coisas e inspirada no dia a dia, resolvi listar algumas delas.

- Comer bem no início do mês, porque caiu o dinheiro do vale refeição. Até porque na metade do mês, voltamos para marmita; 

- Ouvir o barulho de Recarga Efetuada do RioCard, quando você está sem dinheiro para pagar passagem; 

- Correr atrás do ônibus é uma das coisas que faz você se sentir mais pobre, porém a felicidade vem quando você entra no ônibus e ele está vazio;

- PROMOÇÃO DE CERVEJA. Leva uma caixa por um preço e a segunda sai com 50% de desconto. Até arrepia. 

- Colocar uma roupa ou arrumar a mochila e achar dinheiro, quando menos esperava e quando mais precisa;

- Fazer o orçamento do mês, pagar as contas e sobrar dinheiro. Você fica feliz por ter sobrado, mas antes, ficou duas horas pensando "Qual conta deixei de pagar?"

- Passar o cartão de crédito e dar transação aceita;

- Pagar a última prestação. Seja no cartão ou no boleto;

- Comprar algo na loja, chegar no caixa para pagar e ele falar que está na promoção com 70% de desconto;




sexta-feira, 17 de junho de 2016

Cadê as borboletas?

Eu trabalhava numa empresa, no centro do Rio, na Cinelândia, para ser mais exata, como atendente de telemarketing. Da janela do nosso setor era possível ver uma parte da praça Mahatma Gandhi e sempre víamos casais que passavam por lá diariamente. Uma vez, vimos um casal sentado no banco, a mulher no colo dele, se beijavam constantemente, parando apenas para respirar. Ela levantava, ele a puxava de volta e se beijavam. Ela levantava de novo, conseguia se desvencilhar das mão dele, ele levantava atrás dela, a abraçava e eles se beijavam de novo. Na despedida ficavam de mãos dadas e mais beijos, até que cada um ia para o seu canto. As meninas do meu trabalho, costumavam dizer que casal que se agarra muito, dessa forma, dentro de um curto período de tempo, são amantes. Logo, precisam aproveitar todo tempo que tem. 

Hoje, eu ainda trabalho no centro do Rio, mas agora próximo a praça XV. Quando saio do trabalho, vou para o ponto de ônibus, que fica em frente ao fórum. E foi lá que vi um casal. A menina encostada na parede, o rapaz de frente pra ela e sempre se agarrando e beijando muito. A primeira vez que os vi, veio o pensamento das meninas do meu antigo trabalho. No dia seguinte, eles estavam lá, inclusive nos dias de chuva, que cada um estava com suas capas de chuva coloridas, aquelas que a gente costumava usar para ir a escola quando criança. Foi aí que pensei:"E se eles não são amantes e sim, um casal em início de namoro?" e estou pensando nisso até hoje. 

No começo, tudo é lindo. A saudade é constante, as mãos tremem, borboletas no estômago, aquele frio na barriga, ansiedade que antecede o encontro, a falta de concentração ao longo do dia, o sorriso que nunca sai do rosto, muito tempo fazendo sexo, até descobrir o que outro gosta, a timidez inicial... Ou seja, a pessoa é perfeita, incrível e a colocamos num pedestal. Intocável. Sem defeitos. Semana passada, um amigo meu, Victor Gabry, publicou uma crônica linda e dizia algo (claro, dentro de outro contexto), que me chamou muita atenção, pelo simples fato de concordar com ele. 

"(..) as pessoas se tornam imperfeitas e humanas conforme convivemos.O pedestal é o lugar em que colocamos aqueles que consideramos perfeitos - e normalmente essas pessoas não ficaram tanto tempo assim conosco."

Quando começa a convivência, passamos a enxergar os defeitos e com isso vem as brigas, os conflitos diários, os hábitos irritantes... E mesmo com tudo isso, a pessoa não deixa de ser perfeita, porque ela é perfeita para você e para sua vida, só não é mais perfeita para o seu pedestal. 
Com relacionamento ficando longo, ele ganha algo chamado rotina. Alguém percebe quando o namoro/casamento entra na rotina? Não que isso seja ruim, é muito bom ficar em casa vendo séries e comendo gordices. Ou ir ao cinema. Ou ir a uma festa de família. A questão é: As borboletas no estômago param quando a rotina começa, quando pensamos que já conquistamos a pessoa amada e não precisamos mais nos esforçar ou ela é exclusiva para o início do relacionamento quando tudo ainda é novidade? Convenhamos que a conquista é diária, para ambos. Cair na rotina é inevitável: faculdade, trabalho, cansaço, preguiça, futebol, corridas, academia ou até mesmo o sedentarismo. Adaptar- se é preciso. Ceder algumas vezes, também. 

Eu não sei vocês, mas quando vejo um casal apaixonado na rua, dou um sorriso leve e penso que eles tem sorte de estarem nessa fase inicial ainda e gostaria de sentir isso de novo, com a pessoa que eu amo (exceto quando estou de TPM, que olho e mando eles irem para um quarto, porque não obrigada). Quem não sente falta de um beijo roubado, de ganhar flores sem data especial, uma visita inesperada no trabalho, ser levada pra casa e comer besteira pelo caminho, ser musa de um poema ou tema de uma música (peguei pesado, mas tem pessoas que escrevem bem e tem o dom pra isso), ganhar um café da manhã na cama, pelo simples fato de ser especial, ser surpreendida. Deixando claro que isso vale pros dois lados. 

Mesmo depois de pensar muito, escrever esse texto, a pergunta ainda fica: E as borboletas, cadê?





quinta-feira, 12 de maio de 2016

Sexo frágil?

Por que nós mulheres temos tanto medo? Por que sempre pensamos muito antes de agir, quando se trata de nos protegermos? Por que nos escondemos quando choramos? Por que deixamos, muitas vezes, que abaixem nossas cabeças, como se fossemos submissas e inferiores? 

Desde que mundo é mundo, as mulheres sempre foram ensinadas que são inferiores, menores, sem valor, submissas, sem voz, feitas apenas para obedecer aos homens, a servi - lo da maneira que ele quiser e principalmente, como ele quiser. Uma vez estava lendo na internet e soube que em 1955, foi feita uma cartilha, "O Guia da Boa Esposa", com dezoito itens, dizendo como a mulher deveria cuidar da casa, como poderiam falar com seus maridos e até mesmo como agir. Alguns absurdos, como: 

"Tenha o jantar sempre pronto. Planeje com antecedência. Esta é uma maneira de deixá - lo saber que se importa com ele e com suas necessidades."

"Separe quinze minutos para descansar, assim você estará revigorada quando ele chegar. Retoque a maquiagem, ponha uma fita no cabelo e pareça animada." 

"Seja amável e interessante para ele. Seu dia foi chato e pode precisar que o anime e é uma das suas funções fazer isso."

"Minimize os ruídos. Quando ele chegar desligue a máquina de lavar, secadora ou vácuo. Incentive as crianças a ficarem quietas." 

"Você pode ter uma dúzia de coisas pra dizer para ele, mas a sua chegada não é o momento. Deixe - o falar primeiro. Lembre - se, os temas de conversa dele são mais importantes que os seus." 

"Não reclame se ele se atrasar para o jantar ou passar a noite fora. Veja isso como pequeno em comparação ao que ele pode ter passado durante o dia."

"Arrume o travesseiro e se ofereça para tirar os sapatos dele. Fale em voz baixa, suave e agradável." 

"Uma boa esposa sabe seu lugar"

Conforme o tempo foi passando, as mulheres foram lutando pelos seus direitos, para serem vistas como iguais, numa sociedade que até hoje é machista. Ainda julgada pela maneira que se veste, a cor do batom que usa, a maneira que se porta, por ser mãe solteira, as mulheres ainda estão longe da fim da luta pela sua tão sonhada igualdade. 

Algum tempo atrás, ouvi de uma pessoa, um homem no caso, que as mulheres não podem se vestir da maneira que quiser, nem andar a hora que quiser na rua, porque a mesma vai sofrer assédio ou até mesmo ser estuprada, porque os homens tem instintos, dos quais as mulheres não entendem e eles (homens) estão no direito de fazer isso. Eu tive uma conversa discussão com a pessoa e deixei meu ponto de vista esclarecido, mesmo que ele não concordasse, porém queria que ele soubesse como uma mulher se sente ao ouvir esse tipo de absurdo. 

Cerca de seis meses atrás, soube de um relato, sobre uma agressão que uma conhecida tinha sofrido. 
Essa menina trabalha numa loja de roupas e todo dia o pessoal faz uma vaquinha, para comprar o café da manhã. Ela foi comprar, junto com um rapaz, que todos sabem que ele tem um caso com a chefe do departamento e que constantemente, fecha os olhos ou passa mão na cabeça do rapaz, para as merdas que ele faz dentro da empresa. O mesmo sugeriu que fossem por um atalho, ela concordou e quando chegaram na rua do suposto atalho, ele a agarrou. Ela se debateu, bateu nele e conseguiu se desvencilhar. O rapaz pediu desculpas imediatamente, ela manteve a distância e disse para comprar o café da manhã e voltar. Na empresa, a menina estava diferente, calada, distante e com cara de choro. Quando as amigas, em quem ela confiava, perguntaram o que aconteceu e ela disse. Tentaram convencê - la a denunciá - lo, sem sucesso. Entretanto, conseguiram com que ela falasse com a chefe. Quando foi a sala da chefe, ouviu o seguinte discurso: "Você dá intimidade demais. Se ele fez isso com você, foi porque deu brecha ou deu a entender que ele poderia fazer isso com você. Se dê ao respeito, que ninguém mais fará isso." A menina foi embora para casa e ficou por isso mesmo. 

Alguns vão dizer que a culpa foi da menina que aceitou pegar o atalho, mas a verdade é, dando ou não liberdade, homem nenhum tem direito de te pegar a força. Nada justifica tal ação. Ouvir esse discurso de um homem é ruim, mas ouvir de uma mulher, numa posição de chefe, que deveria proteger duplamente, é desconcertante. Não devemos nos sentir seguras quando apenas estamos acompanhadas. Queremos respeito, direito de ir e vir, sair e chegar a hora que quiser, sem medo de sermos estupradas, de vestir o que quiser, sem ser julgadas ou assediadas. 

Se você sofreu ou sofre alguma agressão: DENUNCIE! Não tenha medo. Sabe essas moças, que você ouve falar, as feministas? Então, somos mulheres unidas, vamos ajudá - la da melhor maneira que pudermos, mas a partir do momento que não tem denúncia, dá chance deles fazerem de novo, seja com você ou com outras mulheres. Eu, sua amiga, sua vizinha, amiga da sua irmã... E ainda vão pensar que estão no direito, por sentirmos medo de denunciar. Não podemos deixar esses monstros a solta, achando que é normal agredir uma mulher. 

Não somos o sexo frágil
Vai ter luta sim!  

























quarta-feira, 11 de maio de 2016

Prioridades

Sempre tive muitos ciúmes, aqueles nada saudáveis, de vasculhar redes sociais e celular. Conforme o tempo, isso foi diminuindo, principalmente depois que comecei a namorar o Robson, atualmente, meu marido. Sempre entendi amizade entre homem e mulher, por mais que não parecesse. Até porque tenho muitos amigos homens dos quais são apenas amigos, sem segundas ou terceiras intenções. Quando namorava meu ex, Matheus, não conseguia entender sua amizade com sua amiga, Luciana, porém, quando terminamos, coloquei a cabeça e os pensamentos no lugar, percebi o quanto fui injusta com a amizade deles. Poderia e deveria ter sido mais compreensiva. 

O que mais tem no mundo são casais que brigam pelo passado alheio. Ou porque o namorado (a) é amigo (a) do (a) ex, ou porque simplesmente tem amigos do sexo oposto, sem vínculo de um relacionamento anterior. Todo mundo com quem nos relacionamos tem um passado e é preciso tentar, ao menos, compreender. Ao meu ver, aqueles que não acreditam nesse tipo de amizade, são pessoas que fazem amizades já com segundas intenções. podem planejar algo no começo ou a longo prazo, mas estão ali esperando o momento certo. 

Recentemente, reencontrei um amigo, de longa data, que me disse que não sente ciúmes e depois de muitas conversas, consegui enxergar da forma que ele enxerga e levei isso de não ter ciúmes para a minha vida. Claro, ainda não estou 100%, mas coisas que antes me incomodavam, hoje não incomodam mais. Ou apenas me importar com o que é realmente importante. Funcionou, pois estou me estressando menos, me sinto mais leve e sem a necessidade de controlar tudo a minha volta. Relaxar faz bem, principalmente quando é mentalmente relaxada. 

Então, qual é o limite da amizade? Isso sequer existe? Você realmente não se importa de deixar seu marido, namorado, companheiro, sair pra beber com os amigos, enquanto ele assiste ao futebol num bar, muito menos controla o horário, mas quando o mesmo não atende o celular e nem dá sinal de vida e chega de madrugada em casa, realmente é necessário existir um certo limite. Não pra mostrar quem manda, mas pelo simples fato do mundo estar perigoso e você precisa, no mínimo, saber se a pessoa está bem. 

Mas quando se trata da amizade do sexo oposto, onde estão os limites? Ninguém sabe! Quando o amigo (a) ganha mais atenção em determinados assuntos, isso tende a te incomodar e você passa a questionar a si mesmo: "Quem é prioridade nessa bagaça? A amizade ou eu?" Saber dosar a atenção é essencial e saudável, seja para você ou para o (a) companheiro (a). A melhor parte de tudo isso é quando todo mundo se torna amigo. Mais fácil de se sentir confortável em ajudar com os problemas dos outros, quando se tem ao menos uma certa intimidade. 

Eu sei a todo tempo quais são as minhas prioridades, seja nos estudos, trabalho, na vida e com os amigos, mas e você, sabe?













segunda-feira, 2 de maio de 2016

Eu, tu e ela

Sei que está um pouco cedo pra texto do dia das Mães, mas como estou inspirada e se eu esperar até domingo pra postar, posso acabar esquecendo. 

Eu não fui planejada, nem aceita, nem bem vinda. Fui um erro, entre duas pessoas, que no fim acabou sendo um acerto. Pelo menos é o que me falam. Quando minha mãe engravidou, teve de esconder da minha avó, que com a sua sagacidade, descobriu logo no início. Então, minha mãe tinha que resolver o problema. Depois de um momento morando com meu pai, descobriu que ele não estava separado da esposa, como havia dito e mantinha dois relacionamentos. Ela voltou pra casa da minha vó e enfrentou tudo o que vinha pela frente: a ira da minha avó, o meu tio dando opinião sobre a gravidez, que não queria que eu nascesse, mas que ela não podia tirar e nem dá a criança, ou seja, não ajudou em nada. A perda das "amigas"que deixaram de falar com ela, por estar grávida e não ser casada e ser mãe solteira, aos dezenove anos, em 1989, quando era vergonhoso ser mãe solteira. Hoje em dia ainda existe o julgamento sobre isso, mas naquela época você não podia falar muito pra se defender. Estava errada e ponto. 

Não cresci numa família tradicional. Segundo alguns babacas que estão no poder, Família Tradicional é: pai, mãe e filhos. o que considero de família tradicional é ser criado onde se tem amor. Isso eu tive (e tenho) de sobra. Criada por duas mulheres incríveis, minha avó, Julia Sousa e minha mãe, Ana Ruth, elas fizeram o dever de casa, muito melhor que várias famílias tradicionais por aí. Uma menina criada por duas mulheres? O que poderia sair daí? Muita coisa boa e divertida. 

Minha criação foi longe cheia de frescura e mimos, como costumavam dizer que seria, por ser filha única. Dona Julia, sempre severa, me obrigando a comer o que tinha na mesa, porque pobre não tem opção de escolher, tem que comer o que tem, sempre dizendo que elas duas eram minhas amigas, pra não depender de alguém pra fazer qualquer coisa na vida, não desistir dos meus sonhos por ninguém, estude, não se apegue aos homens, não arrume filho cedo, trabalhe, ganhe dinheiro e guarde algum pra velhice. Minha avó não levava desaforo pra casa e me ensinou a ser assim. Tenha sua própria voz e opinião. Mas de algum modo, eu a conquistei. Ela me mimava, mas era uma das formas de dizer que me amava, fazendo bolos de chocolates, canjica, canja, brigadeiros, pudim, aipim frito, bife acebolado e muitas outras coisas mais. Afinal, foram vinte e seis anos de guloseimas. Como a minha mãe não podia ir a muitos eventos da escola e nem reuniões, era sempre minha vó que estava lá. Minha mãe sempre trabalhou muito pra deixar o aluguel em dia e a comida na mesa. Minha avó trabalhou arduamente a vida inteira. No Maranhão, trabalhou em dois empregos pra dar uma boa educação aos filhos e aqui no Rio, limpava casas. Limpou até aos 79 anos, até que caiu, machucou o braço e teve que admitir que não tinha mais idade pra isso. Minha parte durona, grosseira, sincera, persistente e teimosa veio dela. Ela carinhosa, muito até, mas demonstrava do seu jeito.

Não podemos tirar o mérito da minha mãe. JAMAIS. Ela que me carregou por nove meses, passou dificuldades, já mencionados anteriormente. Trabalhou, estudou, pagou as contas, me deu livros infantis, fitas dos meus desenhos favoritos, me abraçava e me beijava enquanto tomava café, brincava de Maria Chiquinha, me deu cestas de café da manhã, presentes que nunca pensei em ter, acabou com espírito do natal quando eu tinha cinco anos (mãe, amei a bicicleta), me fez aprender a nadar, andar de bicicleta, patins, jogava jogos de tabuleiros comigo, banco imobiliário, Veja o Brasil, cara a cara, tapa a tapa, nunca me comprou um atlas (piada interna), mas me comprou dezenas de bonecas. Cantávamos juntas, ela me acalmou quando o Mufasa morreu e me disse que ia ficar tudo bem, que eu deveria prestar atenção no Simba, me fez gostar de filmes legendados, me apresentou Woody Allen, Tim Burton, Quentin Tarantino, John Woo.... E me fez gostar da sua maior paixão: cinema. Ela é o Yoda. E eu sou sua padawan, agora mestre Jedi, na crítica. Altamente treinada, pela melhor! 
A parte sensível, amorosa, doce, chorona, emotiva e a coragem de se jogar no desconhecido é toda da minha mãe. Ela comete erros, alguns rápidos de perdoar, outros nem tanto. Mas quem não comete erros? Qual mãe acerta em tudo? Qual mãe não tem medo? Qual mãe não comete o erro por proteger demais? Da mesma forma que ela me entendeu a vida inteira, preciso entender suas escolhas. Como diz na música do Renato Russo: "Você me diz que seus pais não entendem, mas você não entende seus pais" Mas sei que somos parceiras até o fim. 

Eu sei que ela vai chorar quando eu me formar, quando o primeiro neto nascer. E o segundo também. Vai mimar os netos, assim como vai educar. Vai me dar conselhos quando eu pedir. E quando eu não pedir também. Vamos brigar. Vamos fazer as pazes. Mas tenho certeza de uma coisa: não importa se tenho cinco, dez, quinze, vinte e sete ou cinquenta anos, ela vai me olhar dormir e fazer cafuné, dizendo que sou o bebê dela. Porque na cabeça dos nossos pais, nunca crescemos. Por eles, ficaríamos crianças pra sempre, só para ficar pra sempre debaixo das asas e sendo sempre protegidos. 

Fui um erro. Virei um acerto. 

Mãe, agradeço a Deus pela honra de ser sua filha e ainda mais por ter me dado uma mãe tão dedicada e maravilhosa. 

Obrigada por existir e feliz dia das Mães. 

Te amo de forma que nenhuma língua pode explicar e nenhuma matemática pode mensurar! 







quarta-feira, 27 de abril de 2016

Forever Young

Que a verdade seja dita, só quando somos criança é que queremos crescer. Pensamos que aos 18 anos iremos sair de casa, que se pode ter muito dinheiro apenas trabalhando num emprego regular, que quando acabamos a escola não precisamos mais estudar. E quando crescemos, percebemos que fomos enganados, não pelo nossos pais, mas pela expectativa que criamos na vida adulta. Se a gente soubesse que crescer fosse assim, teríamos brincado mais. A única coisa que queremos quando adulto, é ter as contas pagas, entrar numa piscina de bolinhas, pular numa cama elástica e dormir por mais de 8 horas seguidas. 
Não estou em crise existencial. Apenas quando comemoro aniversário. Saber que está chegando nos 30 dá um certo nervoso, não pela idade, mas por ser algo novo. Ou a gente espera que seja.

O post de hoje é sobre uma conversa que ouvi e participei, entre duas alunas, na academia onde trabalho. Sempre quando estou no fim do expediente, fecho as coisas, pego meu livro da semana e sento na bicicleta horizontal e leio. Fico ali porque fica de frente para tv, caso queira ver um pedaço da novela e também fica de frente pro ventilador, já que na recepção é um pouco quente. A conversa começou sobre a nova fase da novela, Velho Chico, onde comentamos que a peruca do Antonio Fagundes ficou ridícula e Cristiane Torloni está envelhecida. Papo calcinha.
Uma das alunas perguntou se o pescoço da Cristiane estava realmente pelancudo ou era maquiagem. Respondi que a atriz tem uma certa idade e que os lugares do corpo que denuncia a idade são: pescoço, mãos, joelhos e pés. Retornei a minha leitura e as duas alunas ficaram conversando sobre procedimentos estéticos, uma dizendo que todos esses procedimentos são temporários e a outra falando que valia a pena. Essa mesma aluna que disse que valia a pena, virou pra mim e disse: "Não quero envelhecer". Eu comentei: " Tenho medo de nunca envelhecer". O silêncio caiu sobre nós.

Sejamos sinceros mais uma vez, a sociedade é cruel com as mulheres em relação a envelhecer. O homem pode envelhecer, tem liberdade  pra isso. Fica bem com cabelos grisalhos, ganha um porte diferente, as rugas ficam bem para seu rosto e as meninas novinhas, dão em cima (em algumas situações). Porém, a mulher de cabelo branco? Tem que pintar. Mulher engordar? Não mesmo. Tem que se cuidar e ficar sempre magra e esbelta. Fazer tatuagem depois dos 40? Não está velha demais pra isso? Com alguns desses questionamentos , que a mulherada (na grande maioria), não consegue não só aceitar a idade que tem, como o envelhecer também. ,
Não tenho medo de envelhecer. Não quero morrer cedo. Enquanto estiver lúcida e com saúde, não importa se tenho 80 ou 100 anos, quero viver.

Mulheres, no geral, não deveriam, em hipótese alguma, se importar com a opinião alheia, sobre envelhecer. Seja feliz com o que tem ou com que vai ter no futuro. Se acha que pode melhorar, melhore. Se está feliz com você mesma, continue sendo. Tenha medo da alma envelhecer, com os sentimentos de rancor, tristeza, sede de vingança, infelicidade.... Isso sim é velhice. Toda idade tem momentos bons e sabendo aceitar isso, será eternamente jovem.










 

terça-feira, 26 de abril de 2016

Por que amo ler?

Ninguém cresce com aquela vontade imensa de ler. Isso se adquire com o tempo, dedicação e com algumas cobranças - ou incentivos -  dos pais.

Eu nunca gostei de ler. Minha mãe sofria pra que eu gostasse e nada que fizesse surtia efeito. Nem mesmo a escola. Em uma determinada série, fiz amizade com uma menina, que o pai dela era ator, diretor e roteirista de teatro e ficou abismado quando soube que eu não gostava de ler. Disse que era muito bom e que todos deviam aprender a apreciar uma boa leitura. Surtiu um efeito de leve em mim e passei a ir mais na biblioteca da escola, onde li O Mistério do 5 Estrelas e O Rapto do menino Dourado, de Marcos Rey, da coleção Vagalume e Ática, respectivamente. Porém, o verdadeiro amor pela leitura começou com Harry Potter. 

Na oitava série, fui ao cinema assisti Harry Potter e a Pedra Filosofal. na época eu amei o filme e uma amiga me disse que era baseado num livro. Sabendo que a vizinha tinha, pedi emprestado e o li em apenas em dois dias (levando em conta que só estudava, logo tinha tempo de sobra pra leitura). Foi aí que me apaixonei perdidamente por livros. Não sabia como fazer pra ler o segundo, pois a vizinha não tinha a coleção. Passei na livraria perto da escola, vi o preço do segundo livro e pensei, que se juntasse o dinheiro do lanche, por duas semanas, daria pra comprar. Foi o que eu fiz. Nunca passei tanta fome no recreio, mas valia a pena. 
Passado a duas semanas, com o livro na mochila, cheguei em casa, fiz o que tinha que fazer, minhas obrigações e no final da tarde comecei a ler. Primeira vez cheirando um livro novo, coração disparado, animação por continuar uma leitura desejada por duas semanas. Quando minha mãe chegou em casa, viu o livro na minha mão e perguntou como tinha conseguido. Disse a verdade e ela me encarou por um tempo. Pensei: "Estou encrencada". Ela sorriu, me olhou com um olhar de ternura e orgulho e disse: "Não precisa passar fome na escola. Quando quiser um livro novo, só me pedir que eu compro". Pedi o Prisoneiro de Azkaban e no dia seguinte ela tinha comprado. Depois disso não parei mais. Quando comecei a trabalhar, passei a comprar meus próprios livros, mas minha mãe ainda me dá alguns. Uma vez minha mãe disse para minha vó, que eu tinha muitos livros e que isso a deixava doida. Minha vó respondeu, calmamente:" Pensa pelo lado bom, Ruth. Ela poderia estar gastando com drogas". Nunca mais ouvi reclamação. 

Não sou uma pessoa que tem muito dinheiro, quero muito viajar para fora do país. Paris é minha maior vontade. quem me conhece, sabe dessa minha paixão por Paris.
Por que eu amo ler? Porque os livros me tiram da realidade, me fazendo viajar pra onde nunca imaginei que poderia ir.

Eu ajudei o Harry e seus amigos a destruir as Horcruxes e matar Aquele Que Não Deve Ser Nomeado. Fui a Terra Média, participei da reunião em Valfenda e lutei contra Orcs, para que o Frodo e o Sam conseguissem destruir o Anel. Visitei Forks e vi uns vampiros que brilham no sol. Ajudei Percy Jackson a salvar o Olimpo. Fiz o caminho de Santiago. Aprendi sobre alquimia. Resolvi casos em vários lugares com um detetive chamado Hercule Poirot. E viajei o mundo pra ajudar Robert Lagdon. Conheci de forma prazerosa o Quarto Vermelho da Dor e um homem muito, muito interessante chamado Cristian Grey. Me apaixonei pelo Mr Darcy, perdidamente. Vi a luta de Tristão e Isolda, para ficarem juntos. Acompanhei de perto ao lado da morte, a vida da Liesel e sua intrigante mania de roubar livros. Vi Woodbury no comando do Governador, lutei contra ele e sobrevivi a uma horda de zumbis. Lutei pelos direitos dos negros ao lado de Skeeter, Aibeleen e Minny. Vi anjos se rebelarem e brigarem, criando um verdadeiro Apocalipse, na terra. Vi o amor de um cachorro, Marley e seu dono. Corri pela minha vida, em um labirinto que se mexe, apenas pra tentar salvar a vida dos meus amigos, até porque C.R.U.E.L é bom. Vi o menino Soluço e seus Dragões. Ajudei a Suzannah a levar fantasmas pro seu devido lugar. Vi um homem se transformar no demônio, fazendo as pessoas contarem seus segredos mais profundos. Fiquei abismada quando vi um homem comprar um fantasma. Ajudei Mina Harker a se livrar do Drácula. 

Ainda tenho lugares pra estar. Pessoas pra conhecer. Amigos pra fazer. Guerras para batalhar.